sexta-feira, fevereiro 23, 2018

Perversão

Leonel casou-se duas vezes. Por motivo que ninguém ousa comentar, a primeira esposa fugiu com o pequeno Edgar, o filho que tiveram, logo após dar à luz. 

Dois meses depois, Leonel desposou a filha de um pescador, Raimunda, ao vê-la banhar-se no rio, após ajudar o pai.

Dona Raimunda não era moça pura. Quando casou-se com Leonel, Zé, seu filho, tinha 5 anos de idade. O novo casal nunca teve um filho. Por dois anos, o pequeno Zé foi uma criança solitária no casarão, até o dia em que o padrasto apareceu com um menino, se não da mesma idade que Zé, quase. Mandou as empregadas banharem a criança e colocarem uma roupa limpa. Ninguém comentou, mas o garoto tinha a perna direita completamente torta, envergava na forma de um s. Mancava, pisava forte no chão. Era Edgar.

Todos concordaram que era melhor não saber o paradeiro de sua mãe.



A casa mobilizou-se com a chegada de Edgar. As pessoas olhavam, constrangidas, o esforço do pequeno ao tentar, a todo custo, interagir com as outras crianças. Correr no quintal, jogar futebol.

Conforme Zé e Edgar cresciam, Leonel começou a desdenhar do enteado. Não entendia porque Deus havia feito o filho da outra como a sua imagem e seu menino fraco, deficiente. Buscava recompensar a injustiça divina.

Não que Edgar sofresse. O coxo era respeitado em Laranjal. Nunca lhe faltou, na cama, uma mulher e, na farra, os amigos. Na juventude, foi para o Rio de Janeiro fazer o segundo grau na casa de uma tia. Já Zé, decidiu ficar no interior  já que a mãe passava noites e dias numa estranha melancolia, ela sequer levantava da cama. Assim que a genitora melhorasse, prometeu a si mesmo, também iria para o Rio de Janeiro onde sonhava se tornar desenhista dos grandes jornais.

No casarão, restou o padrasto e enteado, além dos empregados que eram ensinados a se misturar a cor das paredes.


Se na cidade Leonel tinha fama de homem santo, no casarão, transformava-se em diabo. Sobretudo, se pudesse humilhar Zé. Não perdia uma oportunidade. E o menino, quieto, franzino, subserviente, não tinha a quem recorrer, uma vez que a mãe, doente, não merecia mais aporrinhação.

Os gracejos tirânicos do padrasto aconteciam sem aviso. Normalmente, por algo criado por motivo algum, exceto a sua mente maldosa e perversa. Zé para se proteger tentava misturar-se aos móveis da casa, mas nem sempre conseguia passar imperceptível. Durante um jantar no casarão em que o padrasto recebeu amigos do Rio de Janeiro, o visitante, virou-se para o jovem:

- O que você pensa em fazer da vida? - perguntou.

- Quero ser desenhista. Trabalhar para revistas, jornais. Eu gosto e todos os meus professores elogiam o meu traço – respondeu Zé.

- Mas não melhor do que Edgar. Com o lucro da safra deste ano vou mandar o menino para Paris – intrometeu-se Leonel.

Em seguida, o anfitrião mandava os empregados descerem as telas, os cadernos e as aquarelas de Edgar. Este que, no Rio de Janeiro, diziam os boatos, dormia com a tia depois que o marido dela ia trabalhar. Aula que nada, exceto as de anatomia, aplicadas pela própria parenta.


Se Zé comia o pedaço de um queijo, lá vinha o padrasto ralhar com ele. O proibiu até de comer filé mignon 

- Essa carne é cara demais para servir ao estrupício - disse à cozinheira.

Leonel espalhava pela cidade que Zé tinha o diabo no corpo. Dava para beber, não parava em casa. Dormia o dia inteiro. Porém, nas quermesses e novenas de Laranjal, tratava o enteado como se fosse o próprio filho. Posava para as fotos oficiais sempre abraçando o menino e na companhia do padre e do prefeito.

Em casa, transformava-se. Quando encontrava Zé pelos corredores do casarão, murmurava ofensas, verdadeiros impropérios. Zé, sem escolha, estabelecia as bases na biblioteca do casarão. A seção ficava no último andar.

Ninguém imaginava tamanha humilhação, exceto os empregados que se disfarçavam de paredes e, por isso, sabiam de tudo.



Na capelinha da fazenda, Zé, de joelhos diante da imagem de Virgem Maria, ouviu a voz do padrasto.

- Você vai da igreja para a biblioteca e da biblioteca para a igreja. Ou está pendurado nos livros ou no terço – provocou Leonel. – Homem da sua idade tem que caçar as cabritas.

O garoto respirou fundo. Fechou os olhos. Pediu força à Mãe.

- Você é um veadinho e por isso deixou a sua mãe doente, abominação.

De uma só vez, Zé ergueu-se, caminhou de ombros erguidos e peito estufado em direção ao outro. Sentia o sangue quente, o ódio latejando dentro dos olhos. Fechou a mão.

- Você vai bater em um velho, um homem da minha idade? Você é um monstro!

Em seguida, largou Leonel no chão. Saiu, histericamente. Entrou na casa batendo porta. Subiu, estrondosamente, o lance de escadas pensando em ir embora. Pegou uma mala, jogou um punhado de roupas. Já ia mandando arrumar o cavalo quando dona Naña, a cozinheira negra, da pele de um preto retinto e gorda, viera até ele.

- Guenta, Zézinho. Guenta mais um pouco. 

- Eu não suporto mais, Naña.

- Ocê num pode deixar dona Raimundinha com esse homem.

- Ele está me enlouquecendo. Qualquer dia vou perder o juízo e dar um tiro na minha cabeça.

- Calma, Zézinho. Guenta que vô dá um jeito. Guenta mais um pouco.

Naña tinha lá seus santos obscuros e misteriosos, mas católico, Zé não deu bola para a fé da outra. Pensou na mãe e, arrependido, retornou para o quarto. Desfez a mala, guardou as roupas e refugiou-se na biblioteca. Entre as lágrimas, os livros e os manuscritos, adormeceu.


Zé acordou com fortes batidas na porta como se desferidas com o punho fechado. Ao abri-la, sentiu o cheiro de álcool.

- Então é aqui que o senhor se esconde. Vem cá, você sabe ler? Pensei que você fosse burrinho. Edgar tá lá ganhando o Rio de Janeiro. E você? Vai passar a vida catando laranja e merda para fazer adubo?

- Por que você é um quando estamos sozinhos e outro na frente dos outros? Qual é o seu problema comigo?

- Todo galinheiro só tem um macho. Galinheiro com dois machos não dá certo. Um dos dois precisa ir embora daqui. Se bem que você não é macho como eu e Edgar, seu frutinha. Fiz bem em mandar o menino para o Rio de Janeiro. Você é má influência, você é perigoso com essa sua abominação.

- Eu não nada do que você diz por aí. E também não sou uma ameaça a você ou ao seu filho.

- E eu vejo você como ameaça? O filho de uma morta de fome e de um bêbado? O neto de pescadorzinho? Eu casei com a sua mãe porque ela era a putinha suja mais gostosa de toda Laranjal e ela, como se fosse pura, não queria me dar o que eu queria.

Irado com a ofensa a sua mãe, Zé não se conteve. Foi em direção a Leonel, este, parado na porta e um tanto trôpego, devido a bebida.

Zé o empurrou escada abaixo.

O corpo rolou, estrondosamente, do último ao primeiro andar, ao som de ossos se quebrando pelo caminho. Crack... crack... crack... crack... crack... crack... crack... crack... crack...

Ao se dar conta do que fizera, Zé percorreu a escadaria até alcançar o corpo do padrasto. O velho jazia com o pescoço partido, braços e pernas em ângulos estranhos.

- O que foi que eu fiz, Meu Deus, o que foi que eu fiz? - perguntou a si mesmo Zé, desesperadamente.

- Guenta, Zézinho. Eu avisei que ia dar um jeito – disse Naña.


O rapaz olhou ao redor, dezenas de homens e mulheres apareceram como se estivessem escondidos nas paredes.

sábado, fevereiro 17, 2018

Diabólica

Pia

Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome, venha vós ao nosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu...

Há rostos em êxtase ao meu lado. Homens e mulheres emocionados. Eles juntam as palmas das mãos e, de olhos fechados, entoam esta prece. 

Todos, como um só. Uma só carne, um só sangue. O padre me encara com as mãos unidas e as balança. Talvez queira que eu imite os adultos, assim como meu irmão faz.

A voz de JP se diferencia das outras que louvam o Senhor porque ele ainda é uma criança. Suas mãozinhas estão unidas e os olhos cerrados. Entre nós dois, no banco da igreja, está seu saco de soldadinhos de plástico. Encaro o padre. Desistiu de mim. Está virado para a estátua de madeira do homem pregado na cruz. Em silêncio pego o saquinho de JP e o escondo no bolso do vestido.

Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mau, amém.

Todos abrem os olhos. Papai se levanta. Todos o encaram. Ele é tão lindo. Em seguida, meu pai caminha até o púlpito. Fala algumas palavras, entrega um cheque ao padre. O barulho de salvas de palmas explode.

Velhas apertam as minhas bochechas durante o caminho até o carro. No banco traseiro eu e JP escutamos papai falar sobre Nosso Senhor e, mais uma vez, em como se tornou devoto quando, ainda na barriga de minha mãe, disseram que eu tinha um problema na coluna. Eu podia nascer e nunca mover um dedo. Com sorte, aprenderia a andar.

- Pia, por sua causa fui até o Vaticano e prometi que, se você nascesse perfeitinha e bem de saúde, eu batizaria todos os meus filhos com nomes de pontífices  – contou papai.

- Pai, perdi os meus soldadinhos. A gente pode voltar na igreja? - perguntou JP.

- Eu avisei para não levar à missa, João Paulo – ralhou papai.

- E agora, papai?

- Tomara que o padre Pedro encontre e presenteie alguma criança necessitada. Isso é o que acontece quando você não me obedece.  E Pia, você nasceu perfeita e linda. Deus te abençoe – disse papai, que acabou voltando ao assunto.

- E de que adiantou, hein? O nosso meio irmão é debilóide. O tico dele não bate com o teco – gritou JP, furiosamente.

Papai deu uma freada brusca. Virou-se do banco do motorista e desferiu um tapa na cara de JP. Em seguida, voltou a posição normal. Meu irmão começou a chorar.

- Engole o choro que homem não chora – censurou papai.

Ao chegar em casa. Me tranquei no banheiro, subi na tampa do vaso sanitário. Pela janela basculante me livrei do saco de soldadinhos de plástico.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Destinos Cruzados

O motorista pediu demissão e avisou que não rodava de graça. Sem salário, a cozinheira abandonou o avental em cima do pia. Até mesmo o padre não lhe aplicara mais a comunhão. O açougueiro do bairro parou de vender fiado. Agora que o seu Inácio foi embora de casa, quem é que iria pagar a conta no final do mês?

Não foi fácil para dona Magnólia quando o marido se pirulitou com uma gostosona do Grajaú. Os amigos se mobilizaram, juntaram dinheiro, faziam vaquinhas para que ela e os filhos tivessem sempre, à mesa, o arroz, o feijão e o filé mignon – que posteriormente foi substituído pelo carré de porco.

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Chá de Camomila


- Há mais de 15 dias eu não consigo dormir direito, ando tendo insônia brava. Comprei até um chá diferente, mais caro.
- Como você vai ferver a água?
- No micro-ondas.
- Dizem que não é bom. Pega a chaleira embaixo da pia.
- No micro-ondas é rapidinho.
- Faz mal esquentar água dessa forma.
- Quer saber? Deixa que eu faço do meu jeito!

[...]

- Você anda muito chato, todo nervoso. Não se pode falar mais nada.
- Olha, foi mal. Tô atravessando uma fase difícil, a maior barra, você sabe melhor do que ninguém. O que custa ser um pouco solidária, hein?
- E tu é solidário comigo, menino?
- Eu te amo. Cê sabe. 
- Humpft... Me deixe assistir a novela, anda.

Girei os calcanhares.
Dei meia volta.
Eu fui para lá, ela, acolá.
Respirei fundo, meio orgulhoso, meio culpado.
Não ia chorar porque homem não chora.
(mas para ela eu ainda não era o menino?)

Um tempo depois, retornei.  Ela estava de pé em frente a bancada da cozinha, onde a garrafa térmica repousava.

- Fiz teu chá. Mergulhei dois sachês na água.
- Obrigadão. Você é dez, dez não, mil! Viu o açucareiro?
- Aonde já se viu tomar chá com açúcar? Garoto, você tem cada uma.
- Eu gosto, mas você está completamente certa. Sobretudo porque quero pregar o olho e açúcar é estimulante.
- Cuidado para não se queimar.
- Obrigado mais uma vez, minha joia rara. 
- Tá... Tá... Tá... Vê se agora o doutor me deixar terminar a novela.


Glup! Glup! Glup! Glup! Glup! Glup!Glup!Glup! Glup! Glup! Glup!

Há muitas maneiras de dizer Eu Te Amo. Entre elas, cuidar do moleque cujo coração você sentiu bater lá dentro e antes de ser um pingo de gente com um nome sequer, já chegou tomando espaço e exigindo ar, sangue, alimento. Cada célula daquele corpo. Se espreguiçando todo. Te chutando feito Pelé, Ronaldo, Romário, Neymar. 

- Me dá um abraço? Eu te amo, dona Maria. Viu? Te amo.
- Te amo também - ela disse. - E vem cá, provou o empadão que eu fiz?
- Ainda não.
- Pois ficou ótimo. Toma nota, come amanhã, não esquece.


Deitei na cama esperando a bebida fazer efeito durante o resto da noite e sonhando acordado com o almoço do dia seguinte.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Café Expresso

- Tá bonitão todo vestido de preto – saudou Arthur.

- Estou vivendo um rito de passagem – brinquei. – Ou só arriscando um charme de filósofo existencialista.

Sentamos numa mesa no térreo de uma pequena livraria, em Botafogo. Pedimos dois expressos.

- O que tem feito, cara? - perguntei.

- Ralando. Nem te conto, tô partindo para o velho mundo no final do mês. Pintou um especial sobre a Transiberiana. Me puseram na fita e é isso aí, viagem e uma grana extra à vista.

Brindamos com os cafezinhos recém chegados.

- E você, Mário? Como anda a vida, brother?

Contei como foram os dias que se seguiram quando Marina resolveu bater o prego no caixão do nosso namoro. Narrei a vertigem, a queda, o grito.

- Eu quebrei, cara – confessei.

A ficha de que a mulher que eu amava e decidira passar o resto da vida preferira ficar longe de mim não caiu facilmente. Passei os primeiros dias nublado por dentro, oscilando entre a calmaria e a tempestade. Quando o tempo fechava as lágrimas eram expulsas de mim sem esforço algum. Cascateavam irrepresáveis. O resto do tempo eu dormia, não levantava da cama, mal saia do quarto. Esqueci do banho, do asseio. Rosa batia na porta do quarto perguntando se eu não tava a fim de comer, Leda aparecia para se certificar de que eu ainda respirava.

Recebi o carinho e as mensagens de muita gente legal. Outros se afastaram, mal olhavam na minha cara.

- A passagem de ano para mim foi o pior dessa tormenta. Deu meia noite liguei para Marina. Perguntei se ela tava a fim de curtir aquela noite juntos – disse.

Inicialmente, ela havia animado, pilhado na hora. Foi como se todo o resto de alegria do meu corpo se reunisse. Imaginei nós dois com os fogos de artifício na praia de Copacabana queimando ao fundo. A gente celebrando o ato final da nossa história de amor de forma bela, leve, com um último beijo sabor valeu a pena mesclado as bolhas do Prosecco.

Até que de repente...

- Mário, acho melhor a gente não se encontrar, não – afirmou Marina.

- Você não quer se divertir uma última vez comigo? - perguntei. - Não quer que eu vá?

- Não.

Cai do cavalo. Me estrepei bonito. Senti como se uma bigorna Acme, aquelas de desenho animado, houvesse me partido ao meio.

- Mais tarde eu te ligo – finalizou ela.

Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...tu...

- Eu tava numa festa de uma galera do tempo da onça. A anfitriã me olhava como se eu estivesse prestes a estragar tudo  – declarei, ironicamente. - Lançar a bomba atômica, atirar no Kennedy, implantar mísseis em Cuba, sequestrar um embaixador, roubar a taça Jules Rimet, causar o bug do milênio.

Rimos.

Arthur me escutava pacientemente. Seu olhar transparecia afeição e placidez, nada de horror ou piedade. Já havíamos dançado ciranda naquela mesa.

- Mais tarde tomei um pingado na lanchonete da Barão da Torre e decidi reaprender a viver sem ela. – conclui.

Arthur respirou fundo, inflando o peito magro.

- Mário, é aquilo que tu me disse um tempo atrás. Você precisa se limpar, se expurgar do toque dela, do sabor dela. Criar novas memórias, frequentar outros lugares. Uma hora você vai se acostumar com outros corpos, outras estruturas, músculos, ossos e a coisa toda – recomendou. – Lê teus livros, escreve teus contos. Escreve. Isso é o que você faz de melhor, escrever. Põe no papel o que você está vivendo agora. Escreve, escreve, escreve até dar calo no dedo, câimbra na mão. Escreve até enjoar e você perceber que aquelas palavras na tua frente são mais do mesmo.

Em seguida, o homem com o nome, o coração e a nobreza do famoso rei de um império insular uniu os polegares e indicadores como de costume.

- Continua sendo você. Se respeita, e não fuja da dor. Se sentir vontade de chorar, chora – continuou. - Dá a liberdade que ela mesma impôs e segue a sua vida sem esperar mais nada em troca – completou.

- Arthur, nós sabemos que não existe liberdade sem consequências.

- E daí? Deixa ela aprender isso. Tu não é o pai dela, não.

Contemplativo, observei meu amigo levar a pequena xícara de vidro aos lábios e sorver a última gota da infusão.

- Lina, minha primeira namorada, é chef de cozinha, chegou até a montar um restaurante. Acho que já te falei dessa garota. Ela jurava de pé junto que o ideal para bebidas quentes, como o café, é a porcelana – rememorei, apontando para o recipiente em tom de crítica.

- Viu, meu chapa, a gente sempre aprende alguma coisa – afirmou Arthur. – E você está mais forte, enfrentou a loucura e a dor.

Em seguida falamos sobre Star Wars, Woody Allen. Os planos para o futuro. A crise no Brasil. A ideia de um mestrado. Os jornais. Os amigos em comum. Faulkner, Gabo, Guimarães Rosa, James Joyce, Sylvia Plath e os filmes da DC Comics.

Nos despedimos em frente ao estabelecimento. Prometemos tomar um chope logo logo.

 Ao abraçar Arthur senti como se deitasse a cabeça no peito de Buda.