sábado, janeiro 17, 2009

"Happiness Is a Warm Gun"

“Por que?” Era o que ecoava no pensamento de todos naquele momento, observando o corpo frio e desnudo de Aline, os vizinhos se espremendo num cômodo apertado enquanto aguardavam a chegada de socorro.
Moças rezavam diante de seus pés ossudos, senhoras cochichavam sob os olhos verdes da moribunda, e alguns homens morbidamente admiram as belas curvas da morena desmaiada no chão do banheiro.
O revolver distante, evitavam olhá-lo, o barulho fora tão alto e sinistro que seria incapaz de esquece-lo, a principio todos imaginaram ser assalto, vistoriaram todo prédio, até que encontraram a jovem, entre papeis rasgados, garrafas de absinto, cinzas de cigarro e o peito pintado de vermelho, o sangue escorrendo e unindo-se as palavras de dor, paixão e desejo, escritas em cartas rasgadas.

Aline gostava de sofrer, se acomodou na dor, aprendeu a conviver com ela e enxergar em preto e branco, porém abandonaria esse prazer um tanto masoquista se pudesse entregar-se completamente ao previlegio de amar e ser amada, desejava que a amassem e protegessem acima de tudo, necessitava de cuidados, carinhos e mimos que jamais recebera, até conseguiria, se não fosse seu caráter obsessivo e selvagem, capaz de afastar todos ao seu redor.
Estava fadada a solidão!
Seu maior desejo nunca se cumpriria, jamais iria fundir-se a eternidade que é estar nos braços de alguém amado, mas sua alma transformou-se em cacos de vidros completamente despedaçados, que nem o álcool a as drogas que frequentemente recorria nesses momentos, seriam capazes de refazer
.

Só restava unir-se ao desconhecido,não havia escolha.