segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Chuva de verão

Não peguem seus guarda-chuvas e casacos impermeáveis quando perceberem os primeiros pingos de chuva caindo, pelo contrário, permitam-se correr pela grama molhada e sentir a água fria colar a roupa em seus corpos, bebam daquele liquido que vem dos céus, mergulhem em poças ou decifrem os desenhos das gotas escorrendo pelo vidro do carro, não fujam ou escondam-se em marquises, e muito menos, temam os trovões.
Se as nuvens estavam gordas de manhã, era por estarem fartas de tantos versos que aquela garota do Grande Rio construíra, com tanto ardor e paixão; confidencias entre estrofes, cada fim e recomeço pontuando consecutivas linhas, o medo e desejo escondido na mais harmoniosa forma lírica.
Mas agora que choveu, descia de um céu com diamantes tudo o que ela criara por entre a atmosfera, com isso sentia-se distante e um tanto tensa, posso dizer até tomada por um marasmo ao ver que muitos, até aqueles, que considerava como queridos fugiam de suas verdades, secavam seus sentimentos e pisavam em suas confissões, observava de longe aquela cena que deveras a agoniava, fumando melancolicamente um marlboro e pensando no que deveria fazer.


- Vai te enxugar!Ou queres pegar uma gripe? – Alertou-me um amigo.
-Não, obrigado pela preocupação. –O respondi calmamente observando novas nuvens se formarem no céu, através da minha janela.