domingo, março 22, 2009

Ela

Caminhávamos pela sua rua, lado a lado, eu a ouvia falando sobre coisas bobas e gostava de ouvir, embora soubesse que ela fazia isso somente para não falarmos sobre nós, porém, certas coisas não precisam de palavras para serem ditas, paramos em frente ao seu prédio, me aproximei para beijar-lhe os lábios doces, mas ela retraiu-se e falou-me:

- Aqui não!

- Não tenho vergonha, você também não deveria ter. - Lhe disse

-Sobe comigo, precisamos conversar.

Subi então ao seu apartamento, e enquanto ela abria a porta, fiquei a admirando, temendo que aquela fosse a última vez que nos veríamos, que nos teríamos, que eu a teria, sempre tive medo de que ela se afastasse e posteriormente fosse a ser uma daquelas pessoas que saem da nossa vida e deixam a dolorosa marca da saudade na gente.

Seguimos pelo corredor em silêncio, chegamos ao quarto, e mal ela fechou a porta e já a tomei em meus braços, beijando-lhe a boca apaixonadamente, por fim, ela sorriu e acolheu-se no meu abraço, não me amava, e eu sabia disso, porém, ela era deveras importante que resolvi superar meu orgulho.

Ficamos ali, entre caricias, confidencias, risos e beijos prolongados, quando fui embora já era noite e ela me acompanhou até o ponto de ônibus, quando este chegou novamente me aproximei para beijar-lhe, dessa vez ela não me repeliu e colocou os braços em volta do meu pescoço, com aquele beijo, nos despedimos ali.

Só conseguia ter ela no pensamento; sua voz, seu cheiro, seu sabor e vendo-a caminhando pela rua escura, lutei contra o ímpeto de jogar-me da janela do ônibus e cair rente há seus pés.

Mas passado aquele impulso, olhei em volta e vi um garotinho, no banco ao lado, lendo “O pequeno príncipe”, recordei-me daquela célebre frase do livro:" Você é responsável por aquilo que cativas", e eu iria cativar o amor no coração dela.