segunda-feira, julho 13, 2009

A bonequinha de porcelana

Ela cansou do olhar inexpressível e do rosto duro da boneca de porcelana, não entendia que o brinquedo apenas tentava simular uma criança real, e que apesar de imitar perfeitamente os cabelos loiros, olhos castanhos e a pele extremamente alva de uma jovenzinha Européia, era na verdade um objeto inanimado e que jamais lhe diria tudo que gostaria de ouvir.

Viera das mãos de um tio que em uma viagem à Berlim, encantara-se pela “Garotinha na vitrine” e decidira comprá-la para a sobrinha, não deu outra, Catarina apaixonou-se pelo presente.

Queria que Liza (como batizara a boneca) lhe desse boa noite, afagasse seus longos cachos e contasse histórias antes de dormir, tudo que mais desejava era ouvir um “eu te amo” da amiga de porcelana, ninguém tinha coragem de dizer para a pequena que Liza não era real e que a imagem que criara era apenas uma fantasia infantil, então a deixaram ali.

E assim passaram-se meses, até que um dia apareceu no portão de sua casa, uma garotinha sorridente com óculos de lentes retangulares, Catarina educadamente a convidara para tomar um copo de leite e após o lanche a desconhecida apresentou-se:

- Me chamo Amélia.

- Oi, quer brincar? – Disse Catarina

- Claro, querida. Vamos agora para não ficar muito tarde. Tá?

- Tá, espera só um minuto

Catarina então subiu num banco e colocou a bonequinha de porcelana na última prateleira da estante, em seguida, pegou a mão da nova amiguinha e as duas saíram andando pela calçada esburacada.

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d-.-b Vou te esperar @ Clusters