domingo, março 14, 2010

BITUCA DE CIGARRO

Bruno acordou. Rolou de um lado da cama, em seguida do outro. Ainda sonolento, tateou a mesinha de cabeceira em busca de um maço de Carlton, sua mão esbarrou em chaves, copos, bilhetes, moedas, e nem se quer achou um cigarro amassado... Ah, lembrou der repente: Era quase um ex. fumante.
Levantou, coçou o saco e foi até o banheiro dar uma mijada. Teve a nitida sensação de que os comodos fediam àquele íntimo odor impregnante, suas pápilas começaram a salivar. Era diariamente a mesma coisa, a mesma provação dos infernos.
Livia fumava, ela sempre o perguntava se aquilo o incomodava, incomodaria mortalmente qualquer um que estivesse tentando parar de fumar, era óbvio. Quando estava com ela, nada o importunava. Tudo era tão pleno e unico, cada segundo ao seu lado liberava o dobro de serotonina que o tabaco era capaz.
Porém agora, sua ausencia fisica não deixava de ser onipresente, afinal o cheiro de seu perfume misturado com fumaça de cigarro estava em todos os cantos, haviam bitucas escondidas debaixo dos sofás, queimaduras jamais expostas e cinzas desfragmentadas de fuligem e lembranças por todo lugar.
Deu descarga, e entrou logo na banheira tentando desvirtuar-se daqueles pensamentos. Em seguida, se arrumou e saiu de casa. Nada do habitual café quente no desjejum. Haveria maior aliado do tabaco, do que um mero cafézinho?
Caminhou até o ponto, esperando o ônibus. Pensou em cigarros. Avistou o 455.Fez sinal. Salvo. Não parou. Motorista filho de uma puta. Aquilo deixou Bruno ainda mais irritado, definitivamente precisava daquele seu conhecido "câncer doce".
Fumando performaticamente, fazendo pose com um cigarro entre os dedos, e caretas terrivelmente sensuais ao assoprar a fumaça, surge uma desconhecida. Bruno a encarou, até que era bonitinha; os cabelos curtos e claros, um rosto simpático, não mais que um metro e sessenta de altura. Diferente daquelas garotas comuns-tom pastel totalmente sem graça com seus casaquinhos cor creme, que fumavam para mostrar que não eram perfeitas.
Uma mulher tipicamente comum não vestiria meia calça colorida e sairia pelas ruas como se estivesse em algum filme cult, com trilha sonora de Gainsbourg, seduzindo o espectador a cada baforada. Para Bruno, admirador de clássicos com trilhas sonoras renomadas, aquilo estava sendo muito divertido, até porque aquela baixinha além de tudo, tinha umas pernas fenomenais. Inevitável não olhar, e instantaneamente desejá-las entrelaçadas em sua pélvis.
Pediu um cigarro. Ela sorriu, entregou o que estava em sua mão. Bruno agradeceu com um sorriso e deu uma longa tragada. Sentiu os pulmões se encherem, as veias se dilatarem. O coração acelerou, era aquela velha sensação prazerosa que lhe invadia, apaziguando sua agonia, como se um enorme peso simplesmente desaparecesse.
A desconhecida o observou discretamente, Bruno era um moreno charmoso, mais ou menos bonito. deixava o cabelos negros levemente desarrumados. De estatura mediana. Possuia um porte quase atletico, resultado de alguns anos de natação na adolescencia. A calça preta colada delineava suas pernas grossas, e a camisa xadrez, combinando com seu all star, o deixavam naquele estilo meio; alternativo sexy.
- Bruno. - Apresentou-se o garoto
- Que? - Ela perguntou como se não houvesse prestado atenção.
- Meu nome. Me chamo Bruno, o seu é... ?
- Marina, prazer.
Ele levou novamente o cigarro aos lábios, enquanto olhava fixamente para os peitos de Marina. O prazer seria em breve todo seu. E não estou falando de cigarros.