sexta-feira, maio 13, 2011

DOUBLE DRINK


Ondas sonoras transportam um canto agudo pela casa, desviam da simplória mesinha de centro contendo um prato de ovos de codorna, e Bukowski exposto em caracteres. Dois afrodísiacos.
A voz incompreensível vinda do quarto principal aproxima-se dos muitos livros enfileirados nas estantes, talvez pudesse confundir-se com aqueles romances. E segue, entre a coleção de vinís mofados.
Nas paredes, artistas póstumos de Hollywood conservam sorrisos claustrofóbicos em P&B, exprimidos em molduras modernosas demais para eles.
Que mulher não se encanta com Marcelo Mastroianni propositalmente próximo ao bar, prometendo a tal da La Dolce Vita com um sorriso sedutor? Deixam-se levar, exageram inocentemente alguns dedos de uísque e por fim terminam na cama do poeta, como se nada tivesse acontecido. Além de acabado o gelo.