quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Carta para um(a) leitor(a) indesejado(a)

Prezada,

Favor não venha mais aqui. Pare com essa vitimização automática. Acabou e foi você quem quis assim. 
Olha, nem vem com essa de que só quer conversar.
Eu devia ter metido o pé assim que soube de todas aquelas sacanagens entre você e fulana (não citarei nomes), expostas no teu celular. 
Gostava do teu cheiro e de todos os teus sabores, assim como, das nossas trepadas no chão do quarto e nos motéis baratos da Augusta. Ao seu lado, todo o caos do mundo parecia se resumir a zumbido de mosquito. Entre a gente é que o negócio pegava; reinava a incomunicabilidade em meio a sua arrogância e a minha resignação. Um ruído de estática em looping, capaz de estourar os miolos e eu quase enlouqueci pensando tola e apaixonadamente que não adiantava falar brigar, chorar, cobrar e acreditar em tua suposta fidelidade. 
 Eu te amava mesmo apesar de você viver me comparando aos teus outros amores, aguardava teus carinhos, sob o teto e os desatinos de teu pai, aquele jeito dele demonstrar que ali eu não era bem-vinda. Calma, minha menina, que não vou expor teus entes. Eu só esperava que você lutasse por nós aí do teu lado do front, assim como batalhei por você aqui onde as portas sempre estiveram abertas.
 Segue a tua vida, vai. De resto, Let it be... Let it Be...
 Não quero nada de volta, nem mesmo a aliança que um dia eu pus no teu dedo.
 Para você, mudei de endereço, inclusive, eletrônico. Quem sabe, até fui para Marte, tô num mochilão pelos anéis de Saturno. Virei fumaça. A propósito, não me mande mais e-mails. Evite o constrangimento. Pouco me interessa a sua vida pessoal, se você ainda prefere xota ou aprendeu a gostar de pau.

Tenha uma boa vida.
Att.
Um desamor.