sexta-feira, julho 31, 2015

Alice (não) me escreva

Alice,
Estou tentando engolir tudo o que você me disse. Havia tanta raiva e frustração em tudo o que você  falou, por isso estou lacônico e distante.
Ultimamente aconteceram umas coisas bem estranhas. Prometi não te envolver novamente nos meus problemas, então, não vou começar. Você fez demais por mim, ficou do meu lado quando quase todos foram embora, aguentou o meu surto de moleque rejeitado-pela-paixonite e me convidou para um café (que virou yakissoba) quando perdi o chão.
Você sempre foi uma das pessoas que mais me apoiaram em todas as instâncias da minha vida e não quero que pense que houve falta de reciprocidade da minha parte, como você insinuou. Afinal, sou tão grato que quando estou com você me desvisto totalmente da Bolha, a fina camada de pele, que me protege do resto do mundo. Talvez seja pouco mesmo, mas para pessoas fechadas e introspectivas feito eu, é uma grande doação.
Pode me chamar de bobo, de carente, dizer que levei chave de coxa, tudo isso que as pessoas falam. Você, eu deixo. Deixo porque por muito tempo te envolvi nas minhas merdas e, embora não ortodoxo para com os amigos, você tem o direito de me dizer isso e que eu estou agindo feito um bundão, naquele assunto lá.
Você é rara porque coloca em prática que para fazer o bem não precisa de propaganda. Você está ali oferecendo abraço e café quentes. E entre os meus muitos defeitos, sei reconhecer o que as pessoas fazem por mim.
De resto, sei lá, só não some.

Saudosamente,
Gregório.