terça-feira, janeiro 05, 2016

Carta ao meu melhor amigo

Hey,

Espero que isso não te assuste, mas essa foi a forma que encontrei para te manter por perto. Nessa altura, sei que a sua vida anda um caos e você já avisou que precisa de um tempo e cabe a mim, respeitá-lo, mesmo você sabendo o quanto eu queria estar por perto. Fico pensando em como você está, o que anda fazendo, o que tem pensado. Até se fiz algo de errado já que você não respondeu a minha última mensagem. Ok. Sei que precisa do seu tempo, você já avisou. Mas quando puder não esqueça de dar notícias, tudo bem?
            A bem da verdade, a única coisa que eu queria era tirar você de onde fosse, abraçar bem forte e proteger das responsabilidades, obrigações, tristezas, preocupações e perdas. Deste vicioso fluxo comodista do que deve ser feito. A gente sempre acha que pode fazer mais por quem ama e como eu já te disse, me sinto responsável pelas pessoas que eu amo, logo, eu me sinto responsável por você. Afinal, somos melhores amigos. Não é? E sei lá. Sinto que eu realmente deveria proteger você. É o que normalmente fazem os melhores amigos das mocinhas... Ok. Eu sei. Você tem um cara estilo Chewbacca, peludão e forte, para proteger e com quem vai viver a sua vida de comercial de margarina.
                Não consigo me concentrar para ler, nem jogar videogame, então tenho passado o tempo assistindo episódios de How I Met Your Mother, escutado música e também revendo alguns filmes como Tomboy, As Vantagens de Ser Invisível e Azul é a Cor Mais Quente e, ah, descobri Juno no Netflix, com a Ellen Page e o Michael Cera, já viu? Ele é todo fofinho e pop e conta a história de dois amigos. Algumas partes do filme me lembraram você, porque independentemente de qualquer coisa, os protagonistas têm uma linda amizade. Por isso vou deixar o link de uma das cenas abaixo, para você assistir, caso se interesse.
            Os dias sem você são recheados de vários nadas, tédio puro. Sinto falta de quando trocávamos mensagens durante boa parte deles. Sem você tudo que resta é uma solidão devastadora e eu fico pensando se a intimidade, cumplicidade e confiança da nossa amizade serão as mesmas quando/se você voltar ou você estará tipo o gato dos Reed no filme Pet Semetary, arisca e irreconhecível.
           Sabe, nos últimos meses, quando você se sentiu a vontade para mostrar quem você realmente é, se emponderando, eu vi a pessoa incrivelmente linda que você é em todo seu potencial, feito uma reluzente estrela cadente. Alguém que tem opinião própria e algo a dizer sem reproduzir discursos para se convencer de uma vida que não é a que você deseja no fundo do coração. Uma mulher aberta para todas as possibilidades que a vida pode oferecer. Não posso deixar de me sentir privilegiado por ter conhecido você exatamente como você é e sou grato diariamente por ter convivido tão intensamente com o universo maravilhoso que te compõe. Afinal, seus valores, suas histórias, o altruísmo em ajudar a quem precisa, a fome de se entregar a vida e experimentar todos os seus sabores e texturas é único e raro. Eu quero que você seja feliz. Ninguém no mundo merece isso mais que você. Não ignore todo o seu potencial para a felicidade, para desbravar o mundo por causa do que está ali, do que parece fácil, do caminho mais curto e aparentemente mais seguro, do que já está pronto para consumo imediato na sua frente.
            Outro dia eu fiquei bastante nervoso com a possibilidade de perder você. Fiquei imaginando nosso encontro na facul. Eu apareço, você já sabe, camisa xadrez, mochila nas costas, All Star vermelho nos pés e você, do outro lado, me lança olhares de indiferença e volta a conversar com um grupo de garotas que fazem mais o estilo vida-comercial-de-margarina que te acompanham. Isso me assusta, porque não tenho barreiras com você como normalmente construo entre eu e todas as outras pessoas. Uma bolha que age como uma espécie de seguro em caso de alguém se auto extraviar da minha vida. 
            Sei lá. Só acho que não me encaixo na vida de Qualy que você tem pela frente. Quero muito estar errado. Tudo que eu mais quero nesse momento é que você volte e a nossa rotina de melhores amigos também; acordar com uma mensagem sua, falar sobre all the crazy shits and bitchies no WhatsApp, encontrar com você no Starbucks, comer aqueles pasteis maravilhosos, emendar num chope na Farme, marcar um Baixo Botafogo com você reclamando que eu sempre me atraso e essas coisas.

Você vai voltar mesmo?
Com carinho,

Gregório.