terça-feira, janeiro 26, 2016

Jardim interior

Há dias ando pensando em você, que é tão mulher com esse vestido florido e carrega na boca cor-de-rosa toda vontade de viver que existe no mundo. Me pergunto porque resisto, irracionalmente, a vontade de mergulhar nesse seu olhar que desmonta a gente feito pecinha de Lego.

Fujo e vez em quando, volto e torno a ir embora para me refugiar nessa bolha que construí para mim mesmo como forma de autodefesa, mas você sempre me recebe. Eu, que no fundo, sou tão menino. E entramos numa dimensão só nossa, onde o tempo parece suspenso, descolado da realidade e há sempre um macrocosmo a ser dito, até quase o dia clarear.

Ultimamente, ando sentindo vontade de sucumbir a vertigem do seu olhar místico e magnético de cigana, porque apesar de estarmos fisicamente em pontos diferentes da cidade, quando adentramos essa órbita tão nossa, eu quase me rendo ao desejo de confiar em alguém novamente. E além do véu, enxergo o seu rosto rodeado por seus cabelos de leoa.

Quando penso em você é com esperança em dias mais luminosos, porque só você tem essa luz interior tão potente. Do músculo cardíaco floresce a primavera que se ramifica pelo corpo inteiro. Na velocidade de um pensamento brotam rosas, violetas, lírios e girassóis entre os pulmões, estômago, fígado, rins e útero.

Nessas horas, me sinto sem controle. Afinal, cresce um sentimento que mal cabe em mim. Portanto, parto em diáspora, mas estou cansada de fugir e só você, que é luz e primavera, pode me guiar nessa selva que é gostar de alguém.