quarta-feira, setembro 28, 2016

Depois do intervalo

Não esqueço o dia em que o sorriso cruzou o meu caminho no corredor da escola, enquanto eu seguia com uns amigos para a aula de matemática. Uma boca tingida de paixão ou escarlate, num quadro de fundo branco com desenhos delicados, sutis traços que revelavam talvez uma ascendência nipônica,  e os cabelos pretos, presos em um rabo de cavalo mal feito.


Foram esses mesmos lábios da cor de Iansã que por muitos anos, até mesmo depois da escola, continuaram a embalar os meus desejos mais profundos desejos, como uma lembrança que vai e volta.

Naquela boca a minha frente, o abre alas de vermelho da passante, 
Nos lábios flutuantes, aprendi que não existe cálculo mais preciso para medir o tamanho de um sentimento do que aquele que ainda não foi inventado por nenhum grande filósofo.

Agora a menina que pertence só aos meus sonhos, está não sei por onde. Talvez a encontre ocasionalmente depois de amanhã e eu grite seu nome, somente para ouvi-la falar bom dia por trás de um novo sorriso.