segunda-feira, junho 05, 2017

Nina

Nina preparava-se para dormir quando me recebeu em seu apartamento. Ela me guiou até os cobertores, já conhecidos das nossas noites de amor, e embrulhou-me como se eu fosse órfão.

Eu lutava para conter as lágrimas enquanto contava o que havia acabado de descobrir e o meu recente rompimento com parte do que me constituíra. Eu era o super herói, o guerreiro voraz, o príncipe encantado. Educado a moda antiga, jamais vi meu pai chorar, portanto, passei a vida acreditando que homens duros e de mente sólida não o fazem. Na cama, revelei que me sentia fraco ao deixar o sal nos olhos me dobrarem, incapaz de represar o choro.

- Eu não quero chorar na sua frente, quero que você me ache forte – declarei.

- Meu amor, eu vou te achar fraco se você não chorar – afirmou.

Em seguida, munida do instinto de leoa que lhe é tão intrínseco, a mulher apertou a minha cabeça contra os seus seios fartos e desnudos e senti o cheiro excitante de sua pele. Ela vestiu, num dedo, os anéis dos meus cabelos e o converteu em um singelo cafuné. Aceitei os cuidados, ouvi as ponderações, entre elas, um breve murmuro de indignação.

Aos poucos me vi menos solitário e menos abandonado. Ali, refugiado nos braços da mulher que eu amo.